“Trata-se de” não tem plural

agosto 31, 2010 by iSecretarias  
Categorias: Em português

“Segundo o ministro da Saúde, tratam-se de verdadeiros ‘cordões umbilicais’, sustentando a vida dos mineiros, tanto física quanto psicologicamente.”

O verbo “tratar” tem diversas acepções e a sua regência pode variar de acordo com elas. No sentido de ter certo tipo de comportamento em relação a alguém, o verbo é transitivo direto (tratar as pessoas com respeito, tratar bem os animais). Essa também é a regência de “tratar” quando a ideia é fazer um acordo ou mesmo fazer um negócio (“Trataram o emprego durante uma reunião social”, “Tratou uma venda promocional com o dono da empresa”). Leia mais…

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Comunicar e ser comunicado

março 16, 2010 by iSecretarias  
Categorias: Em português

“Esse momento chegou para milhares de clientes do Unibanco, que foram ou serão comunicados da conversão de sua agência em unidade do Itaú.”

A regência do verbo “comunicar” é idêntica à do verbo “dizer”. Isso equivale a dizer que se comunica algo a alguém – o objeto direto é a informação, aquilo que é comunicado; o objeto indireto é a pessoa a quem se destina essa informação. Leia mais…

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Reforma ortográfica ainda patina em Portugal

março 2, 2010 by iSecretarias  
Categorias: Em português

Em vigor desde o início do ano passado, a reforma ortográfica está longe de ser realidade em Portugal.

Firmado em 1990 pela Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), o acordo foi aprovado no Brasil pelo Congresso Nacional, em 1995, e regulamentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 29 de setembro de 2008, por meio de um decreto. Leia mais…

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O lugar do pronome

fevereiro 27, 2010 by iSecretarias  
Categorias: Em português

A colocação pronominal depende mais do ritmo e do equilíbrio da frase do que de rígidas regras sintáticas, mas sua posição não é tão livre assim.

Nas variedades linguísticas brasileiras, o pronome oblíquo átono costuma flutuar irresponsável entre as formas verbais, sem muito compromisso com regras, para aflição de sábios lusófonos. Mas não convém exagerar, como fazem sem querer alguns profissionais distraídos, porque, apesar de certa liberdade vigente entre nós, a gramática tenta sistematizar os fatos na variante culta da língua.

Como princípio, deve-se observar que o pronome átono se coloca sempre junto de uma forma verbal (ver quadros próclise, ênclise e mesóclise, nestas páginas).

Os pronomes o/a, os/as devem aparecer sempre junto de verbos transitivos diretos, dos quais são complementos objetos diretos. Quanto a me/te/se/nos/vos, podem ser objetos diretos ou objetos indiretos, dependendo da natureza do verbo a que sirvam de complemento: transitivo direto ou transitivo indireto. Em relação a lhe/lhes, funcionam como objeto indireto na escrita formal.

Particípio
Deve-se considerar que os pronomes átonos jamais se ligam ao particípio, que repele tanto a próclise como a ênclise. Particípio é uma das formas nominais do verbo e se caracteriza pela desinência -do: “amado”, “comido”, “partido”, exceto alguns irregulares como “dito”, “feito” e “posto”. Quando há particípio na frase, o pronome se liga (ou liga-se) ao verbo auxiliar que o acompanha.

“Haviam-lhe contado que o Congresso é uma mamata.”
“Eles lhe haviam contado que o Congresso é uma teta.”
“Tem-nos dito que a vida dos congressistas é duríssima.”
“Ela nos tem dito que eles trabalharam duas vezes por semana.”

A próclise ocorre em geral se a palavra que precede o pronome e o verbo é um advérbio, um pronome de significado negativo, uma conjunção adverbial ou um pronome relativo:
1. palavras negativas e advérbios (não, nem, nunca, ainda, assaz, bastante, bem, já, jamais, mais, mal, muito, menos, pouco, quanto, quase, quiçá, sempre, só, talvez, tanto etc.);
2. conjunções, principalmente subordinativas (quando, enquanto, se, que etc.);
3. pronomes relativos (que, quem, cujo etc.);
4. pronomes pessoais retos (eu, tu, etc.) em muitos casos.
“Não lhe digo o que merece por pena.”
“Ninguém o notou ao entrar.”
“Nunca te vi, sempre te amei.”
“Nada a levava a chorar.”
“Quando me viu, tentou se esconder.”
“O deputado que a levou reclamou da denúncia.”
“Então é preciso que nós os enquadremos.”

Sujeito explícito
Mesmo na ausência de palavras negativas, conjunções ou pronomes relativos, existe uma tendência à próclise no português falado no Brasil quando o sujeito estiver explícito.
“O deputado as convidou, mãe e filha, para um passeio gostosinho.”
“Eles a querem demais.”
Mais razão ainda haverá para a próclise se, além de sujeito explícito, a frase tiver o verbo no futuro do presente ou no futuro do pretérito.
“Os políticos nos levarão ao paraíso algum dia.”
“O perdão dela me faria bem.”

Encontros
Os pronomes o/a, os/as, representados pelas formas lo/la, los/las, aparecem sempre depois do verbo no infinitivo ou das formas verbais terminadas em -s e -z, que, naturalmente, perdem as consoantes no encontro com o pronome.  É o que ocorre com as também variantes no/na, nos/nas em relação às formas verbais terminadas por -am, -em.
“Fi-lo porque o quis.” (“Fiz” mais “o”.)
“Fê-lo porque ninguém lhe disse que não era para fazê-lo.” (“Fez” e “fazer” mais “o”.)
“Não podemos perdê-la.” (“Perder” mais “a”.)
“Queriam acusá-lo a qualquer custo.” (“Acusar” mais “o”.)
“Convidamo-lo para ser candidato.” (“Convidamos” mais “o”.)
“Levaram-no à força.”
“Forçaram-na a dizer coisas que não queria.”
“Levem-no daqui.”

Dois verbos
Na frase em que há dois verbos funcionando como um (auxiliar mais infinitivo, gerúndio ou particípio), a próclise ao verbo principal em geral prevalece.

“Eles precisam nos avisar.”
“Ela quer me enciumar.”
“Os congressistas estão se matando de trabalhar por nós.”
“Nossos representantes estão nos representando bem.”
“Os alunos estavam se cansando de estudar.”
“Os policiais disseram que ele havia se suicidado com três tiros.”
“Todos os alunos tinham se cansado de estudar aquela matéria.”
Em textos formais, há outras duas possibilidades, visíveis no uso dos mesmos exemplos. Ou liga-se o pronome átono por hífen ao verbo auxiliar, quando for possível, ou usa-se a ênclise ao verbo principal, caso em que o formalismo aumenta e aproxima a construção da variedade culta lusitana (com exceção dos casos de gerúndio, que os portugueses em geral repelem e preferem trocar pelo infinitivo precedido de a: “Estou a lixar-me com os pronomes”, em vez do nacional: “Estou me lixando”).

“Eles precisam avisar-nos”.
“Ela quer-me enciumar.” Ou: “Ela quer enciumar-me.”
“Os congressistas estão-se desgastando.” Ou: “Os congressistas estão desgastando-se”.
“Nossos representantes estão irritando-nos”.
“Os alunos estavam-se matando de estudar.” Ou: “estavam matando-se”.
Em construções com particípio e verbo auxiliar,  a formalidade é marcada unicamente pela ligação por hífen do pronome átono em ênclise ao verbo auxiliar.
“Os policiais disseram que ele havia-se suicidado.”
“Os alunos tinham-se matado de estudar.”
No texto informal ou menos formal, dispensa-se o hífen:
“Os policiais disseram que ele havia se suicidado”.
“Os alunos tinham se matado de estudar”.

Verbo auxiliar
Com as formas o/a, os/as, mais frequentes na variedade formal, em geral ocorre próclise ao verbo auxiliar; a menos que a construção seja composta por infinitivo ou gerúndio, caso em que a ênclise a essas duas formas nominais poderá ser então mais cabível. Se a ênclise for ao infinitivo, o pronome assume as formas variantes lo/la, los/las.
“Eles não a tinham de chamar.”
“Eles não tinham de convocá-la.”
“Eu a devia ter convidado.”
“Eu devia tê-la convidado.”
“Elas a podem rejeitar.”
“Elas podem rejeitá-la.”
“Nós os estamos condenando.”
“Nós estamos condenando-os.”
“Nós não as estamos condenando.”
As variantes no/na, nos/nas, dos pronomes o/a, os/as, são exclusivas dos registros formais e sempre enclíticas às formas verbais terminadas por vogal ou ditongos nasais -am e -em).
“Levantamo-nos cedo para trabalhar mais.”
“Tragam-nos aqui imediatamente, por favor.”
“Peguem-nas por mãos e pés.”

proclisePRÓCLISE

Antes do verbo (posição mais frequente entre nós pelo andamento da frase na língua)

  • O deputado me convidou.
  • Nós a queremos demais.
  • Me dá um dinheiro aí.

(A evitar na escrita e na linguagem formal)

O pronome torturado

As frases seguintes foram colhidas em jornais e revistas de grande circulação; nelas, os pronomes átonos gemem dolorosamente malcolocados. É quase certo que os autores, todos profissionais, seriam reprovados num exame rigoroso sobre o assunto.

Desatenção, talvez, não ignorância das coisas básicas da língua, ferramenta de trabalho deles.

(A colocação apropriada aparece entre parênteses.)
Não ficarão órfãs porque deixei-as já adultas… (porque as deixei).
“… quando transferiu-se para…” (quando se transferiu).
“… havia formado-se” (“havia-se formado” ou “havia se formado”).
… há os que acham que deve-se implantar…” (“que se deve” ou “deve implantar-se”).
“…pois caberia-lhe o sacrifício… (“caber-lhe-ia [evitar]” ou “lhe caberia”).
“… desse modo poderia-se dizer…” (“poder-se-ia [evitar]” ou “se poderia dizer, poderia dizer-se”).
“…por isso chamarei-a de a descoberta da… (chamá-la-ei [evitar] ou por isso a chamarei).
“… como manda-o…” (como o manda).
… assim é que nós colocamos-lhe… (que nós lhe colocamos).
“… nem tudo perdeu-se…” (nem tudo se perdeu).
“Mas foi com Ari Barroso que tornei-me Brasil” (que me tornei).

encliseÊNCLISE

Depois do verbo.

  • Os senadores dizem que estão a acusá-los sem provas
  • Viram-nos vender passagens da cota parlamentar

.

.

mesocliseMESÓCLISE

No meio do verbo (demasiado formal e cada vez mais caro)

  • Mandar-lhe-ei o livro logo que possivel
  • Dir-nos-ia tudo se pudesse

.

.

Cuidados com o “lhe”

Há uma diferença considerável entre a colocação pronominal na fala descontraída e a do texto formal

Depois que a ministra Dilma Rousseff revelou sua doença, agora aparentemente controlada, escreveram-se milhares de palavras sobre as consequências e desdobramentos, já que ela fora anunciada pelo presidente Lula como pré-candidata à presidência da República. Então o articulista do jornal escreveu no meio de sua análise:

“Dilma merece que lhe deixem em paz ao menos durante os quatro meses em que se submeterá a quimioterapia.”

Merece que LHE deixem em paz, ele escreveu. Usou o pronome oblíquo átono LHE. É a forma objetiva indireta e corresponde a “a ele/a ela”.

Se não tivesse se distraído, teria escrito:

“Dilma merece que A deixem em paz ao menos…”

O pronome LHE utilizado como complemento de verbo transitivo direto, contrariando a norma culta, é comum à linguagem oral, principalmente do Rio de Janeiro para o Norte. O LHE substitui bem os complementos preposicionados: “deu-lhe” em vez de “deu a ele”; “deixou-lhe”, por “deixou a ela” etc. Mas, nessas regiões, é comum ouvir coisas como “eu lhe encontro”, “eu lhe amo”, “eu lhe vejo mais tarde” e assim por diante. Em São Paulo se ouvem constantemente construções como “se você for, eu te vejo”, “vai indo que nós te encontramos”, “vamos te rever só quando você chegar” etc., em mistura de pronomes da segunda pessoa com o resto da oração na terceira. E no Sul, “tu vai”, “tu vem”, “tu quer?”, pronomes na segunda pessoa e verbos na terceira. É a linguagem oral e regional descontraída, despreocupada com a variante culta do idioma.

O fato é que o analista político se enganou no uso de pronomes num texto formal, embora não costume fazê-LO (para usar o O em sua forma LO). Quem deixa – deixa alguma coisa, deixa algo. Essa alguma coisa ou algo, objeto direto de deixar, é bem substituída pelo pronome O (O, A, OS, AS) que funciona sempre como complemento de verbos transitivos diretos na linguagem formal algo rebuscada. Transitivos diretos (TD), já se sabe, são os verbos que exigem complemento sem preposição: “deixar algo”, “fazer algo”, “comer algo”, “ver algo”. Os transitivos indiretos (TI) são verbos cujo sentido é completado por complementos preposicionados. Quer dizer, os complementos dos verbos transitivos indiretos são acompanhados de preposição, ainda que implícita. “Gostar de”, “precisar de”, “recorrer a”, “conviver com”, “derivar de”. Os transitivos diretos são muitíssimo mais frequentes do que os indiretos. Em relação à transitividade, há também os transitivos diretos e indiretos (TDI): “antepor algo a alguém ou a alguma coisa”, “habituar alguém a algo”, “implorar alguém a ou para algo” ou “implorar algo a alguém”, “deixar algo a alguém” etc.

Há também os intransitivos (I), que dispensam a obrigatoriedade dos complementos: “correr”, “morrer”, “viver”, “rir”. Claro que essa classificação é um tanto genérica e não absoluta porque os verbos podem mudar de natureza, dependendo da construção.

Importa no caso é que esse analista procure sempre escrever de acordo com a variedade culta da língua, o código de que tenta se servir o jornalismo considerado sério. É óbvio, portanto, que nesse texto ele se distraiu, como não costuma fazer, porque demonstra conhecer bem a norma culta.

Coisas da vida.

Por Josué Machado
Fonte: http://revistalingua.uol.com.br

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“Ao invés de” e “em vez de”

outubro 14, 2009 by iSecretarias  
Categorias: Em português

“Antes, eles tinham que visitar a indústria em questão e, segundo os seus relatos e de técnicos do governo, às vezes eram vítimas de golpes: o tal fabricante, ao invés de mostrar o aparelho, pedia dinheiro para emitir um laudo falando que na realidade a sua máquina não era exatamente a desejada.” Leia mais…

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